sexta-feira, setembro 4, 2026

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PF mira rede de postos suspeita de lavar R$ 7,6 bilhões e cumpre mandados contra ex-prefeito e ex-chefe da Polícia Civil do RJ

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o grupo teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, com suposta participação e proteção de agentes públicos e políticos.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao esquema.

Entre os alvos da operação estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), o ex-secretário estadual de Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius Amim, além de policiais civis da ativa investigados por suposta ligação com o grupo criminoso.

Outro alvo é o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, apontado como ex-chefe de uma milícia que atuava em Nova Iguaçu. Ele já havia sido citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2008, e foi posteriormente condenado por homicídio e associação criminosa.

Durante as diligências, agentes da Polícia Federal apreenderam armas, dinheiro em espécie, joias e veículos de luxo em um dos endereços vistoriados, em Niterói.

Investigação começou após alerta do Coaf

As apurações tiveram início a partir de um Relatório de Inteligência Financeira encaminhado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis e estimadas em R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos.

Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que eventualmente forem identificados durante o andamento das investigações.

A operação integra as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que atribuiu à Polícia Federal a investigação de possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.

Quinta fase teve empresário de postos como alvo

Na quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada na última quinta-feira (2), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca contra o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de uma rede de postos de combustíveis.

As investigações buscam esclarecer a relação do empresário com o ex-governador Cláudio Castro (PL) e com o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.

De acordo com a prestação de contas da campanha eleitoral de 2022 apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), empresas de Trabach forneceram a maior parte do combustível utilizado na campanha de reeleição de Cláudio Castro ao governo do estado. Após a posse do governador, empresas ligadas ao empresário passaram a firmar contratos com o Governo do Rio de Janeiro.

Trabach também já havia sido investigado anteriormente pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por suspeita de integrar organização criminosa.

Alvos da operação

Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo, foi deputado estadual por três mandatos e, em 2024, foi eleito prefeito do município. Em abril deste ano, renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.

Já o delegado Marcus Vinícius Amim comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação ocorreu após alteração na legislação estadual que reduziu o tempo mínimo de carreira exigido para assumir o cargo.

Operação já teve seis fases

Deflagrada em dezembro de 2025, a Operação Unha e Carne começou investigando o vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra integrantes do Comando Vermelho.

Ao longo das etapas seguintes, as investigações se expandiram e passaram a atingir políticos, integrantes do Judiciário, empresários e suspeitos de integrar organizações criminosas.

Na primeira fase, o principal alvo foi o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado pela Polícia Federal como articulador político do Comando Vermelho.

A segunda fase resultou na prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por supostamente repassar informações sigilosas ao parlamentar.

Na terceira etapa, Bacellar voltou a ser preso após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que passou a apontar uma suposta estrutura de proteção institucional ao crime organizado.

A quarta fase teve como principal alvo o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), investigado por suspeita de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação.

Já a quinta etapa ampliou o foco das investigações para um suposto esquema envolvendo a chamada “Máfia do Cigarro”. Foram presos o pastor Márcio Poncio, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e novamente Rodrigo Bacellar, que já estava preso.

Segundo a Polícia Federal, documentos apreendidos nas investigações indicam possíveis registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro envolvendo agentes políticos do estado do Rio de Janeiro. As investigações seguem em andamento.

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